terça-feira, 24 de janeiro de 2017

ESTRELA DO MATO

ESTRELA DO MATO

Sem mais delongas vou contar uma história
Que encontrei em minha memória
De um menino que quis voar

Enquanto seu pai saia para o mar
E sua mãe ficava à sua casa lavar
Ele corria para o campo espionar

Era a pelada de toda tarde
Da galera que tinha mais idade
E é claro ele ficava fora

Como não podia fazer nada
Sentava-se na arquibancada
Pensando quando chegaria a sua hora

Seus olhos se enchiam de alegria
Quando a bola subia
E via um chapéu


Bola no meio das pernas era caneta
Mesmo não sabendo ler queria uma carreta
Ou um Fusca da cor do céu

Terminava mais uma partida
E com ela a sua lida
Ninguém o deixava jogar

Foi passando os dias
E o que ninguém sabia
Era que aquele menino iria mudar

Não mudou de cidade
Porém sua idade
Deu-lhe sabedoria

Com uma enxada que seu pai lhe deu
Correu pra o mais longe campo e entendeu
Que a sua história escreveria



Roçou em um campo onde ninguém poderia vê
E todo dia pela manhã ia lá se aquecer
Com o tempo começou a treinar sozinho

Com uma bola furada encontrada no mato
Chutava sua sina seu passado
Para o mais longe e íngreme caminho

Com o tempo aquele menino que era deixado de escanteio
Começo a trabalhar com seu pai a vender paneiros
Com o sonho de comprar a sua bola

O cromo se passou
E a bola então comprou
Sem deixar a escola

Um dia o menino se formou
E um torneio na cidade se começou
Contudo o time local não estava completo



Faltava um jogador lá atrás
Olharam para o menino “Humm” jamais
Pois nunca viram jogar por perto

Como não tinham outra opção
Colocara o menino na zaga então
Pra ver o que aconteceria

O menino foi tão bem
Que o time do além
Ofereceu-lhe uma cortesia

Ele foi o melhor do torneio
Ganhou como artilheiro
Saiu com muito dinheiro

Todo mundo agora conhecia
O menino que na moita se escondia
Só pra aprender a jogar futebol



E eu digo ao mundo inteiro
Que conheci o menino agora mineiro
Que um dia correu seguindo o girassol

E aquele que cortava o capim molhado
Hoje brilha em outro gramado
Sem se esquecer de seus pais

Pois seguiu o que tanto quis
E agora representa o seu país
Em gramados internacionais
                 (YENGAF ROCHA – Ao meu primo Lucas Rocha Franklin)